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futebol segundo a eunice

Frase do dia: fica no chão, filho da puta, que vai ter que aumentar mais o tempo.



Escrito por Amigo da Eunice às 20h57
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Eunice tá meio perdida

Eunica manda um torpedo. Está no Sacomã. Ou no Mandaqui.

Só não sabe como voltar para o centro. Está à pé e sem dinheiro.

Responde: pegue o rumo norte. E vá trocando as ruas menores pelas maiores, sempre.

Quando estiver passando um onibus, entre. No primeiro, diga ao motorista que está sem dinheiro. Se ele não deixar você entrar, tente novamente. Sempre haverá um que vai ajudá-la. Se depois de três tentativas, não der certo, entre sem falar nada e fique perto da porta. Quando achar que é a hora, desça pela porta da frente mesmo. Ou peça para alguém emprestar os dois reais e trinta centavos da passagem.

 



Escrito por Amigo da Eunice às 11h40
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Contando para Eunice

Vou contar uma coisa para a Eunice. Ninguém nunca puxou minhas orelhas. Mas me sinto violentado na infância, por ter tido o meu lado curioso e artístico de certa forma reprimido. Eu escrevia umas coisas meio doidas. Mas ninguém lia. Ou se lia era para corrigir o português. Achei que aquilo não valia nada. E passei a escrever na "língua da facudade". Só quando eu estava escrevendo o doutorado é que senti o quanto é chato escrever assim. E percebi que eu tinha sido condicionado.

Por outro lado tem uma coisa legal na língua da faculdade, em termos de linguagem, que é a ideia de precisão.

Mas às vezes é legal ter dominío da confusão. Me ressinto de nunca ter estudado música. Hoje aos 35 talvez seja tarde demais. Tem coisas que meu ouvido não vai mais ouvir. Que minha voz não vai mais poder cantar. Nem ver.

Uma vez a minha mãe disse: nossa agora tão morrendo umas pessoas que antes não morriam... Se você pensar bem, você construiu uma vida supercoerente. Tanta coerência não podia ter vindo de mim, sociologicamente é explicado pela relação entre a estrutura social e o espaço programado para o indivíduo transitar dentro dela. Ontologicamente, é mais complicado.

Chega de filosofia por hoje. Vou jantar que a fome tá brava.



Escrito por Amigo da Eunice às 15h13
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A morte da elefanta

A morte de elefante é livro guardado na estante. Por muito tempo, vai-se remoer essa história, e nos mentirão, e acreditaremos em tudo que for mentira, e duvidaremos do que for verdade. Porque morte de elefante não se esquece. É de crueldade comparável só a massacres dos quais governantes tomam parte, como aquele de três casas decimais.


Quando um paquiderme bate as botas, embora não as use, sempre há a suspeita da ingerência humana no desastre; de homens que sempre invejaram o fato do elefante ter o cérebro maior do que o nosso e de, como as mulheres que sobem nas cadeiras por conta de nojentas e minúsculas baratas, correrem eles de ratos que poderiam massacrar simplesmente. Gente fina, num certo sentido.


Mas isso, dessa vez, é intriga, fofoca. Coisa de gentalha querendo pôr confusão no novo governo, que já nem é tão novo assim. Desta vez, sabe-se muito bem quem é o coronel Mostarda com o candelabro na cozinha cometendo seus crimes de sempre.


Especialmente numa sociedade multifabular, como é o zoológico, instaura-se o terror étnico quando morre um elefante. Nem por isso deixa-se de saber. Se fosse fazenda, modelo, dariam nome aos bois.


Quem matou a elefanta de nome Baira, mas que, pela graça com que atravessava seu escasso espaço, era chamada pelos tratadores de Beija-Flor? Sim, Beija-Flor; embora tal apelido comporte uma certa ironia, os bons tratadores, ou seja, aqueles não envolvidos na trama nem em grupos de extermínio organizados por maus policiais florestais, seguiam a tradição humanista de Leonardo da Vinci, que escreveu sobre esses bichos de quatro toneladas e duas enormes presas de marfim: “O elefante possui, por natureza, algo que é raro encontrar-se no homem, isto é, probidade, prudência, equidade e observância da religião, pois quando a Lua se renova, os elefantes vão aos rios e ali se lavam solenemente, purificando-se, e desse modo, tendo reverenciado o planeta, voltam à selva.”

Ah, o elefante. Ou melhor, ah, a elefanta.


Numa hora dessas, vale mais o balbucio das araras, que não se cansam de repetir, sem serem ouvidas, que viram o crime e o criminoso espalhando o veneno num dia límpido de alamedas iluminadas pelo Sol, não pela Lua. Porque a polícia, ignorante que só, mal equipada, tem por intérpretes animalumanos apenas os papagaios. Que, como se sabe, preferem os holofotes e os paus-de-arara (usurpadores!) à verdade. E que inventaram essa de que houve um descuido de um mau tratador.


Como investigou o sr. Tamanduá, que tem um bom nariz para as boas pistas, o caso do mão-branca, nome do veneno que derribou todos os treze e tantos bichos, tratou-se menos de um descuido que de ação deliberada. E todos sabem que não houve outro assassino que não o chimpanzé. O chimpanzé, sabe como é, matou o elefante. Puro ciúme ou algo mais? Evidências: todas, a começar pelo famoso crime da rua Morgue, como já contou Edgar Allan Poe, em que o primata era outro, mas o gênero traiçoeiro o mesmo.


E o chimpanzé, de mão branca, veneno forte, não apenas matou o bicho como a toda a família. Senão, contemos: desde a véspera dos 450 anos da cidade, morreram Tony, Nancy e Felipe, chimpanzés de 15 a 25; Baira, a elefante gentil, que, na África, quando um par seu caía num buraco, ajudava a enchê-lo com terra e pedaços de madeira, para que que o companheiro pudesse sair da armadilha; três dromedários-laranjas e, finalmente, três antas, entre as quais a Melancia, prima da Jaboticaba e da Gabiroba, se não falha o registro de animais, deixando de lado os porcos-espinhos, que mereciam. Isso antes que Fafá, outra primata, fosse levada para a enfermaria e que viessem a falecer os senhores Bisão, Orangotango e mais um Bisão.


Tudo aponta para o Chimpanzé da propaganda de um provedor da Internet. Mas, como não há pena de morte neste infame país, resolveram pô-lo atrás das grades. O zoológico é mesmo uma Universidade do Crime.



Escrito por Amigo da Eunice às 20h01
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Sem recibo

Eunice fez me saber a história de uma amiga. A mãe da menina, quando a garota tinha dez anos, pegou-a pelas orelhas até que ela levantasse do chão. Motivo: a menina não tinha pego o recibo do médico.



Escrito por Amigo da Eunice às 19h27
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Obesidade

O meu medo, ao engolir raiva, é engordar, feito boi no pasto, boi na moita de capim-gordura, boi mocho inchado no sal. Boi que come manga, muito come e se lambuza. Eu queria ser um boi, às vezes, para dormir à tarde em vez de trabalhar. Dormir, dormir, e deixar a preguiça obrar a meu favor, o que no mundo de hoje, nem.

 

Nem a pau, Juvenal. O problema é que a gente idealiza, isso é que é… A vida de besta não é tão assim, já leu Fazenda Modelo do Chico? Aquilo é que é resposta, senta aqui que arranco bosta, como a gente dizia. Fodeu com o tal do George Orwell, que todo mundo cita que nem porco nem porquê, mas que só fala merda. É um idiô, como dizem os franceses, e quem não lê os franceses não entende o mundo, falô?

 

Os gringos da inglaterra e dos estados unidos, me perdoem aí meus irmãos brothers escritores e jornalistas de quinta categoria (o pior jornal do mundo é o The New York Times, registre-se), só sabem escrever sobre os que não mandam nem são mandados, a triste classe média, que gosta de bife, mas almoça em vegetariano, que adora mcdonald’s, mas sonha em jantar no chef rouge, o chef vermelho e francófilo, que sabe dividir as porções irmanamente entre os esfomeados que pagam, pagam, pagam as faturas de cartão de crédito e assaltam a geladeira de madrugada. Um ideólogo desses, que eu conheço, ah, conheço muito bem, gostava de comer pão com banana na às três da matina. Às quatro, como um relógio, abria o pote de nutela.

 

Eu tenho medo, eu tenho medo, todo mundo tem um medo, e o de engordar é o pior possível. Engordar é comer demais, é consumir demais, é, de mais a mais, deixar-se levar pela aparência do biscoito. Não que eu não goste de bolacha, gosto, mas eu quero capim, capim, capim. Sinto-me burro, asno, mula, teimoso que nem, mas me sinto, e sinto que não adianta resistir, engordar é bom, mas é perigoso, e nada mais perigoso do que ter medo, é um círculo vicioso, como o da propaganda do farináceo.

 

E eu engulo raiva. Eu sou humilhado. Os políticos me ofendem, a esquerda me ofende, a direita finge que eu não existo. E isso dá fome.

 

Dá muita fome querer derrubar um governo de centro-direita, dá muito mais fome querer jogar milhares de sem-terra sobre o presidente do Congresso que finge que foi um dia talvez comunista para no fim gostar mesmo é de freqüentar, como se estivesse numa música do Eduardo Dusek (oba, desta vez não confundi com o Ritchie, da menina veneno).

 

A política, da qual estou cada vez mais alienado, tornou-se um território do outro, um território aristocrático e de exclusão. A democracia hoje não é nem palavra de ordem. As pessoas hoje têm vergonha de falar e de escrever a palavra democracia, um conceito filosófico ultrapassado e enganador, que já não ilude ninguém.

 

E isso, amigo, dá muita fome.



Escrito por Amigo da Eunice às 11h24
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Eunice vai voltar?

Eunice vai voltar?

Talvez, agora que Guilhermo Lora morreu.



Escrito por Amigo da Eunice às 02h25
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Homenagem a uma amiga

A Eunice tem uma amiga. Ela tava meio chata. Eunice virou pra ela e disse:

- Não é porque você está seis meses sem transar que eu tenho um problema.



Escrito por Amigo da Eunice às 00h28
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Jogo de palavras

- Nenhum homem é uma ilha, com exceção do Flávio Ilha.

- Eu nunca tinha visto alguém que ronca acordado, tadinho... (Tati)

- ''Meu amor, eu orei, e Deus me atendeu. Aconteceu tudo o que pedi. Eu queria me ver livre desse homem, não queria nem mais ouvir a voz do Marcelo na minha frente (...) Ele ficou solto e caiu em qualquer tentação. Vai com Deus, tá? É isso'' (Suzana Vieira).

 



Escrito por Amigo da Eunice às 16h14
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E se

E se Eunice

não existisse?

fosse de outro planeta ou fosse para outro planeta?

se não soubesse jogar truco?

se fosse chata, gorda ou seca?

se eunice fosse maluca, tudo bem.

se eunice fosse estranha, não me surpreenderia.

me surpreenderia se a eunice fosse a camila pitanga.



Escrito por Amigo da Eunice às 01h18
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Teologia rápida

Minha mãe, judia, disse que estava pensando em se converter ao cristianismo.

-- Não sei se vou virar católica ou evangélica.

Respondi:

-- Tá louca? Nosso povo matou o Deus dos caras. Fora o tanto de gente nossa que eles liquidaram.

Ela riu nervosa e, bem, não tocou mais no assunto.



Escrito por Amigo da Eunice às 21h16
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Como eu descobri

Descobri por acaso. Entrei na livraria e peguei um romance de uma colega jornalista. Não esperava muito, porque romance não é fácil.

Na verdade uma amiga da faculdade, a autora tinha dois irmãos. Mas, na página dos agradecimentos, ela citava duas irmãs, que, eu sabia, não existiam - pelo menos não como irmãs. Uma delas chamava-se Jacqueline, a outra, Eunice.

Há muitas Eunices no mundo, eu sei, mas aquela era a que estava mais próxima de mim. Além disso, era alguém que gostava de estimular algum jogo intelectual, alguma fantasia - convencera minha amiga a transformá-la em irmão, afinal. Não bastante, ela... Fiquei maquinando vários motivos, e, claro, não havia nenhum furo no raciocínio.

O lançamento seria em dois dias, então eu já sabia onde procurá-la. Eunice era Eunice.

Cheguei à livraria onde minha amiga daria os autógrafos. Fui o primeiro a chegar, antes mesmo da autora. Ela chegou, conversou comigo, enquanto outros conhecidos não vinham. Mas dez minutos depois da hora marcada, já havia gente suficiente para eu pedir licença e fingir que ia passear.

Subi no mezanino. Do alto, podia vê-la autografando. Meia hora e dezessete assinaturas na folha de rosto depois, reconheci, ela começou a escrever, com letras de forma, não sei por quê: E U. E parou. Deu um sorriso, levantando levemente a cabeça, ouviu uma piadinha, e continuou: N I C E.

Era ela. Meu coração bateu um pouco mais rápido, enquanto eu já registrava a fisionomia da mulher que me fizera gostar de ser perseguido.



Escrito por Amigo da Eunice às 00h51
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Descobri quem é a Eunice

Você está duvidando. Eu sei. Mas é verdade, eu descobri.

Me senti como se tivesse ganho na loteria. Aliás, resolvi olhar o bilhete. E não é que tinha mesmo?

Não acertei os seis números, só cinco. Só cinco, mas lembre-se que cinco não é pouco. E já dá um bom dinheiro. Um dinheiro a que eu não daria tanto valor se eu não tivesse descoberto quem é a Eunice.

Já sei como vou gastar esse dinheiro. Pedi demissão, vou embora para meu destino. E meu destino agora, pelo menos por mais alguns meses, é um só: seguir a Eunice.

Mudamos de lado.

Escrito por Amigo da Eunice às 22h14
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Aconteceu algo muito estranho. Estranho mesmo.

Alguns meses atrás, conheci Roberto. Alguns meses atrás, conheci Denise. Roberto era um cara bacana, bem posicionado na vida. Denise gostava de parecer meio maluca.

Roberto namorava uma amiga. Denise dava em cima de todos no trabalho. Ou parecia dar. Não falava coisa com coisa.

Um dia fui tomar um café ingênuo com a Denise. Ela começou a falar sem parar de seus problemas amorosos. Perguntou se eu já havia traído minha namorada. Falou das relações dela, do ciúme dela, de tudo dela. Não parava.

Quando dei por mim, começou a falar do Roberto. Era o mesmo Roberto, que ela achava que eu conhecia. Que ela descrevia e que eu fazia cara de que conhecia, embora não confirmasse.

Sim, o Roberto era o Roberto. A Denise era a Denise. Eles se conheciam e mantinham uma relação para lá de instável.

E a Eunice? Incrivelmente, a Eunice não apareceu nesta história. Estou preocupado.

 



Escrito por Amigo da Eunice às 09h39
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Humor negro da Eunice

Fui visitar um amigo no trabalho. Esperava ele fechar o computador para a gente almoçar.

Mesmo tentando evitar, li o um e-mail, por cima do ombro dele:

"Teve suicídio na galeria do rock, gostriam que publicassem algo, porque eu queria saber quem é a pessoa. de repente até conheço, não tive coragem de olhar o corpo."

Remetente? Eunice.


Escrito por Amigo da Eunice às 21h33
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