Eunice manda uma carta
"Ontem à noite, eu dormi normalmente. Em realidade, dormi mais cedo que de costume. Estava frio, muito frio, tomei uma pequena taça de uísque (a taça era boa para grapa, mas queria tomar uísque sem gelo e sem tem a sensação de que estava bebendo à caubói), o que apressou meu sono.
Dormi bem, e só acordei às dez da manhã, com muita fome e vontade de ir ao banheiro.
Mas não é isso que, pelo menos é a sensação que tenho, de fato aconteceu. Acordei como se uma semana, talvez duas tivessem se passado, como se eu estivesse estado ausente da minha própria vida por um período relativamente longo.
Acordei como se tivesse feito muita coisa nessa noite. Peguei 42º lugar numa corrida de cinco quilômetros, e talvez isso explicasse minha dor nas pernas. Tomei uma bebedeira triste e solitária num bar envelhecido, mas com uma TV de plasma ligada, exibindo um show do Queen (ou do Legião Urbana?) que me irritava profundamente, porque já era um antigo conhecido -daí a boca amarrada e o estômago cheio e revirado de cerveja? Saí com um amigo de faculdade que não via havia muito tempo, e passei a noite com ele, fumando maconha, falando baixarias e, finalmente, como que transando, sem consciência completa do que fazíamos, o que tornava a coisa melhor ainda.
Mas eu fui olhar na folhinha, e não pode ter tudo isso acontecido desde ontem.
Por isso eu estou mandando esta carta à antiga, que talvez atrase por conta dos correios. Talvez você possa chegar a uma conclusão diferente, de que tudo isso acoteceu mesmo.
10 de junho de 2008."
Escrito por Amigo da Eunice às 19h43
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