Como eu descobri
Descobri por acaso. Entrei na livraria e peguei um romance de uma colega jornalista. Não esperava muito, porque romance não é fácil.
Na verdade uma amiga da faculdade, a autora tinha dois irmãos. Mas, na página dos agradecimentos, ela citava duas irmãs, que, eu sabia, não existiam - pelo menos não como irmãs. Uma delas chamava-se Jacqueline, a outra, Eunice.
Há muitas Eunices no mundo, eu sei, mas aquela era a que estava mais próxima de mim. Além disso, era alguém que gostava de estimular algum jogo intelectual, alguma fantasia - convencera minha amiga a transformá-la em irmão, afinal. Não bastante, ela... Fiquei maquinando vários motivos, e, claro, não havia nenhum furo no raciocínio.
O lançamento seria em dois dias, então eu já sabia onde procurá-la. Eunice era Eunice.
Cheguei à livraria onde minha amiga daria os autógrafos. Fui o primeiro a chegar, antes mesmo da autora. Ela chegou, conversou comigo, enquanto outros conhecidos não vinham. Mas dez minutos depois da hora marcada, já havia gente suficiente para eu pedir licença e fingir que ia passear.
Subi no mezanino. Do alto, podia vê-la autografando. Meia hora e dezessete assinaturas na folha de rosto depois, reconheci, ela começou a escrever, com letras de forma, não sei por quê: E U. E parou. Deu um sorriso, levantando levemente a cabeça, ouviu uma piadinha, e continuou: N I C E.
Era ela. Meu coração bateu um pouco mais rápido, enquanto eu já registrava a fisionomia da mulher que me fizera gostar de ser perseguido.
Escrito por Amigo da Eunice às 00h51
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