Almanaque Abril
Em 2004, eu tava demitido e fiz o Almanaque Abril. Dezessete países, os mais bizarros. Dai foi engraçado porque a gente tava numa festa de intelectuais. E uma menina começou a detonar um intelectual consagrado. Porque ele cita o almanaque abril. Porque a fonte dele é o almanaque abril. Porque ele dá palpite sobre qualquer coisa, parece o almanaque abril. Na quinta vez que ela usou o argumento (que ninguém estava contrapondo), eu levantei e falei: bom, como eu escrevi o almanaque abril, acho melhor eu ir tomar uma água.
Escrito por Amigo da Eunice às 12h49
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Eunice é simpática ou sabe que linchei alguém?
Eunice é simpática ou sabe que linchei alguém?
Escrito por Amigo da Eunice às 23h16
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Prefácio
Eu conheço uma Eunice, mas não é essa do livro. Roubei o nome dela, porque não podia roubar suas garrafas de vodka. Roubei o nome por alguns bons motivos, que, se eu não explicasse, talvez até alimentasse o desejo do leitor de descobrir algum significado literário na escolha. Mas eu prefiro contar: Eunice, eu nisso, eu 'nice', ou seja, eu numa boa. Apesar de que esta história não é tão tranqulia assim. A doravante nomeada Eunice (Dora seria uma opção, aliás, caso não tivesse preferido o da amiga) é, na verdade, alguém que não existe, mas deu para me perseguir. Vou dar um exemplo simples, creio que assim as coisas ficarão ainda mais claras. A primeira vez que li seu nome ele nem parecia estar tão ligado a tudo o que ia viver. Fui visitar um amigo no trabalho. Esperava ele fechar o computador para que a gente almoçasse. Mesmo tentando evitar, li um e-mail, por cima do ombro dele:
"Houve um suicídio na galeria do rock, gostria que publicassem algo, porque eu queria saber quem é a pessoa. De repente até conheço, não tive coragem de olhar o corpo."
Remetente? Eunice. Mas ainda não sabia nada sobre Eunice. Tive, no entanto, a sensação de que ela sabia algo sobre mim. Uma sensação que só pioraria quando ela revelou-se uma figura recorrente em meu cotidiano, um nome que, gostasse ou não, passei a ouvir e ler constantente. Dois dias após esse primeiro encontro, recebi um telefonema, eu no trânsito, no celular cujo número só um pequeno círculo de amigos tinha, e ela começa a falar, a falar, a falar. Não consigo desligar o celular, e hoje já nem me lembro o que ela dizia. Só tenho certeza de que perguntei por que ela me escolhera para ouvi-la. E ela contou que gosta de observar, e que numa manhã de sol, enquanto eu tomava café numa padaria, decidiu que precisava ter um confidente. Um confidente que não tivesse para quem passar adiante seus segredos mais bobos, e também os mais incríveis.
Escrito por Amigo da Eunice às 02h38
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Mulheres e diamantes
Mulheres e diamantes - é um bom título de livro? se eu puder urdir com v., v. tramaria contra mim? tudo isso saber por quê? Sexo, diamantes e urdidura.
Escrito por Amigo da Eunice às 15h18
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Desculpinha
Eunice não venho. Mandou dizer que estava chovendo.
Escrito por Amigo da Eunice às 14h28
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Eunice no restaurante japonês
Eunice começava, realmente, a fazer parte da minha vida cotidiana. Por mais que eu quisesse deixar de pensar nela e nas formas que ela podia ter, a fantasiar e a idealizá-la, ela fazia questão de interromper meu trabalho, meus raciocínios complexos e até mesmo a atenção que sempre dispensei aos jogos de futebol.
Seria loira ou morena? Negra ou branca? Alta, baixa, gorda, magra, voz seca, suave ou doce? Caraminholando sobre a onipresença de Eunice em minha vida, caminhei de modo inconsequente por algumas ruas da Vila Madalena. Não era eu bairro preferido da cidade, especialmente para caminhadas, por conta de suas ladeiras que levam a ladeiras que, por sua vez, acabam em subidas. Aliás, andar pela Vila Madalena dá uma estranha sensação de que em São Paulo não há descidas, apenas subidas.
Subindo uma dessas ruas com nome engraçado – Abegoária, Girassol ou Fantasia, agora não me recordo -, de de cara com um simpático restaurante japonês, filial de um outro que eu frequentava no horário de almoço no trabalho. Para mim, era uma comida honesta, embora um colega realmente japonês tenha olhado com um enorme desprezo para mim no dia em que o convidei para aproveitarmos nossos incríveis vinte minutos de almoço por lá. Sério, ele preferiu o McDonald's.
O importante é que deu vontade de entrar, e o ambiente era bacana. Tinha uns barcos de madeira fazendo as vezes de luminária, umas meses de plástico e as garçonetes vestiam roupas de gueixa. Aquilo devia ser humilhante, concordei comigo mesmo – já havia pensado nisso outra vez, em outra casa que servia peixe cru -, mas, raios, havia uma certo prazer em vê-las constrangidas. Lembrei também da vez em que comparei as palavras: as poetisas conseguiram passar as ser tratadas como poetas, simplesmente, mas ninguém fez nada pelas garçonetes, que estão muito mais presentes no nosso cotidiano. Escrever ainda garante uma espécie de poder político, enquanto quem servia está lá para isso mesmo, servir, sem poder ao menos pedir uma palavra que revele consideração e estima.
E se Eunice fosse poeta, hein? Que tipo de versos faria?
Pronto, ela voltou, apesar de todo o meu esforço. Calculei que era hora de chamar uma das garçonetes e pedir o rodízio, que estava em promoção, dezenove e noventa. Achei também que um refrigerante acompanharia bem aquele gênero especial de fast food que é o sushi. Chamei a tal da garçonete vestida de gueixa, que anotou o meu pedido num desses aparelhos digitais. Ela enviou os códigos que digitou para a cozinha e, sem que eu falasse nada, puxou uma cadeira e comeu a falar:
- Eunice tem um baratinho toda vez que come sushi. É uma coisa assim, sem explicação. Ela acha que o arroz fermenta um pouco no estômago dela, liberando um tantinho de álcool. 'É como tomar uma tacinha de vinho', ela diz.
A garçonete, que tinha um crachá com um nome que não guardei, falou, levantou-se, soltou o cabelo, tirou o quimono. Não, ela não estava nua. Estava com uma camiseta branca e calça jeans. Deu uns passos em direção à porta e, antes de abri-la, com voz teatral, anunciou:
Meu nome não é Eunice.
Isso eu já sabia.
Escrito por Amigo da Eunice às 01h48
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A primeira feminista
a britadeira só é feminina na forma porque é falo, e com força esculpe o buraco de rua estupra a rua e rompe o hímem auditivo. como diria manuel bandeira a britadeira foi minha primeira feminista.
Escrito por Amigo da Eunice às 16h19
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Concurso
Quem vai ganhar o primeiro round do concurso da Eunice?
Escrito por Amigo da Eunice às 00h16
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Cilene?
E se Eunice se chamasse Cilene, o que mudaria nesta história?
Escrito por Amigo da Eunice às 09h48
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Uma sucessão de más notícias. A tia voltou a sair do rumo, depois de se sentir enganada por um homem que vendia a "dieta do alimento vivo". O tio-avô, ex-dentista do hospital, morreu, e não há ninguém da família mais que Eunice conheça. Para completar, um homem velho, dirigindo um carro velho, xingo-a, porque ela andava muito vagarosamente na calçada e ele tinha pressa, provavelmente pressa de não fazer nada.
Escrito por Amigo da Eunice às 12h36
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Eunice faz compras
Eunice imaginou que ninguém a veria gastando reais na Alameda Lorena. Claro que estava enganada.
Escrito por Amigo da Eunice às 19h27
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Eunice não fuma
Eunice estava com seu amigo em Toulouse, na França. Várias pessoas fumavam. O amigo pensou: vou fumar também. Puxou o cigarro da carteira e acendeu. O segurança chegou e pediu que ele apagasse. O amigo de Eunice argumentou que os franceses estavam fumando e que, portanto, ele também podia. Acabou que todos os fumantes foram expulsos. Eunice continuou no boteco. Ela não tinha nada com aquilo, Eunice não fuma.
Escrito por Amigo da Eunice às 14h49
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Pulou do viaduto
Sob o viaduto, um corpo. O policial informa: pulou. Era mulher. No bolso, um recado: meu nome não é Eunice.
Escrito por Amigo da Eunice às 13h28
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Eunice
Eu conheço uma Eunice, mas não é essa do livro. Roubei o nome dela, porque não podia roubar suas garrafas de vodka.
Escrito por Amigo da Eunice às 13h27
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Eu queria pegar o metrô
Eu queria pegar o metrô, ira até o fim da linha, saltar, pegar o ônibus, andar mais uns quarteirões, descer uma escada e encontrar Eunice. Essas foram as indicações que ela me deu. Tive preguiça ou depressão. Fiquei em casa, lendo.
Escrito por Amigo da Eunice às 20h23
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